Cozinhar com os filhos é caminho para contornar dificuldades alimentares

Cozinhar com os filhos é caminho para contornar dificuldades alimentares

Levar os filhos para a cozinha desde a mais tenra idade ajuda a criar momentos felizes e saudáveis em família. Veja dicas e coloque a mão na massa.

Está com os filhos em casa nessas férias? Que tal aproveitar para começar a criar o hábito de cozinhar? Para os especialistas, essa é uma estratégia certeira para criar logo cedo uma boa relação com a comida, e inclusive superar questões como a seletividade e a neofobia, o medo de experimentar alimentos novos.

Não é preciso esperar a criança crescer para começar e nem criar uma “hora de apresentar a cozinha”. “O filho deve participar do processo desde sempre e da forma mais natural possível. Na introdução alimentar, leve junto para a cozinha na hora de amassar as frutas, descasque na frente dele”, comenta a nutricionista Gabriela Kapim, apresentadora do programa Socorro! Meu Filho Come Mal, do canal GNT.

Por volta dos dois anos, quando a criança descobre a própria autonomia e poder do “não”, ela também costuma receber o prato pronto. A familiaridade com a cozinha pode começar nesse momento. “Algumas crianças pequenas que atendo não sabem como é uma fruta inteira, nem que tem semente no mamão”, aponta Raquel Ricci, nutricionista do Instituto PENSI.

Quando o pequeno participa do preparo de um vegetal, a chance de se interessar por ele é muito maior. Fora isso, a cozinha ensina sobre a origem dos alimentos, o ciclo produtivo e o respeito à natureza, aumentando as chances de formar um adulto mais consciente.

Treinamento gradual

Quando a criança já tem mais coordenação motora, pode começar com tarefas super simples, como colocar os ingredientes numa travessa, lavar um legume ou rasgar folhas com a mão para uma salada. Elas adoram colocar a mão em massas e ter experiências com texturas diferentes.

“Com cerca de quatro anos, ela já pode montar a mesa, um sanduíche, quebrar ovos e até cortar alimentos mais molinhos com faca sem ponta”, explica Luciana Carvalho, nutricionista especialista em alimentação infantil, que mantém o perfil Nutricionista Pediatra no Instagram.

Os afazeres evoluem com o pequeno. Aos cinco ou seis, dá para apresentar o micro-ondas, ensinar a medir ingredientes, usar forminhas de plástico. Só o fogo e as facas com ponta que devem ficar para mais tarde, depois dos oito ou nove, de preferência – pode variar de acordo com o nível de desenvolvimento de cada um, mas sempre com supervisão.

Falta de tempo não é desculpa

É quase  impossível cozinhar todos os dias, principalmente em grupo, mas é bacana estabelecer uma certa rotina para colocar a mão na massa – uma vez por semana, por exemplo. Se a criança não demonstra muito interesse, você pode começar com pratos que ela goste, mesmo que não sejam tão saudáveis.

Se ela não come cenoura, por que não começar com um bolo de cenoura? A partir daí ela pode ir aparecendo de outras maneiras no prato. Mas a aceitabilidade da criança surpreende os adultos. “Guacamole, por exemplo, é algo que você não imagina, mas elas amam comer”, destaca Gabriela.

O desafio e a sensação de dever cumprido colaboram muito para isso e dão ares lúdicos ao preparo. Para tornar a ocasião ainda mais divertida, faça um rodízio de sugestões, cada semana um membro da família escolhe a receita. Fora destes momentos, inclua a criança nas pequenas coisas, como o preparo da lancheira e a montagem do prato.

Oportunidade para transmitir valores

Além do aspecto nutricional, o hábito ajuda a desenvolver habilidades importantes, como a paciência de esperar algo ficar pronto, trabalho em equipe e organização. Até por isso, é bacana que ela participe de todas as etapas. “Cozinhar com as crianças é bom, mas quando acaba está aquele caos na cozinha e sobra a arrumação para os pais ”, destaca Kapim.

Eles precisam entender que há o antes, durante e depois, e cada um pode fazer uma coisa: um varre, outro recolhe as cascas, os mais velhos lavam a louça e por aí vai. “Meus filhos costumam dizer para mim ‘eu gosto quando você faz isso mamãe, porque quando formos morar sozinhos já sabemos o que fazer’”, comemora Kapim.

Por último, a cozinha é um ambiente perfeito para estreitar vínculos, tentar, errar e se divertir em família. Uma saborosa experiência em tempos tão corridos.

Fonte:

https://bebe.abril.com.br/alimentacao-infantil/cozinhar-com-os-filhos-e-caminho-para-contornar-dificuldades-alimentares/

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