Amamentação não depende só da mulher: mães falam sobre a rede de apoio

Amamentação não depende só da mulher: mães falam sobre a rede de apoio

A postura da comunidade ao redor, em especial das pessoas mais próximas, influencia muito no sucesso do aleitamento

O leite materno é o melhor alimento para o bebê, mas amamentar não é uma tarefa simples. Trata-se de um momento delicado, ainda cercado de tabus e mitos, e a rede de apoio formada por família, comunidade e trabalho é crucial para que a amamentação seja bem sucedida.

“É uma tarefa para mais pessoas além da mãe, sem dúvida”, resume Alline Valverde, 36 anos, redatora de Americana/SP, mãe de Stella, de quatro meses e meio, amamentada no peito. Alline passou por diversas dificuldades. “Logo no início, a bebê sugou errado e ganhei um machucado no mamilo, tive uma crise de ansiedade no dia seguinte ao nascimento”, relata.

“Eu já entendia que nem eu, nem a bebê saberíamos o que fazer, e que tudo bem, que isso era normal, mas quando foi pra valer, tomei um susto”, continua. Na tensão dos primeiros meses, quando o tempo para descansar, dormir e cuidar de si é escasso para a mãe, é fundamental ter alguém por perto para restabelecer forças e fornecer apoio para que a amamentação se estabeleça. 

A responsabilidade do pai

“No começo a amamentação foi difícil, eu ficava depressiva, nervosa, chorava o tempo todo, e isso afetou minha produção de leite, o bebê não estava com o peso adequado e tive que complementar com fórmula, o que fez com que eu me sentisse derrotada”, conta Jennifer Duarte Torricello, 34, de Praia Grande/SP, mãe de Arthur, 3 anos, que mamou até completar um ano.

Ela contou com o apoio do parceiro, Diego, para atravessar em segurança a turbulência do puerpério. “Sem ele não teria conseguido. No puerpério, ele tomou todos os cuidados do Arthur e da casa para ele, eu estava bem debilitada da cesárea, e pude me preocupar única e exclusivamente com a amamentação”, conta Jennifer. “E ele colocou a mão na massa, fazia massagens, ajudava a desempedrar”, completa. 

Com Alline, que ainda está em plena época de aleitamento exclusivo, a história foi parecida. Ela passou por problemas para ajustar a pega e a filha tinha o reflexo de apertar muito a mandíbula, o que lesionava o mamilo e acabou desenvolvendo na mãe a síndrome de raynaud, interrupções da circulação sanguínea na região que causa dor e é uma causa frequente e silenciosa de desmame precoce.

O companheiro participou ativamente desta fase. “Ele não apenas ajudou, mas fez parte de todo o processo, das coisas simples às complexas. Me ajeitava com almofadas, me dava água, esquentava compressas, fazia a prega no mamilo para eu ajeitar a pega e me dava a mão para apertar enquanto eu chorava amamentando”, relembra.

Mas, quando o apoio não ocorre como deveria, a amamentação pode ser prejudicada junto com a saúde mental da mulher. Mesmo que o pai esteja presente, nem todo o homem encontra e ocupa seu lugar nesse processo.

Fonte:

https://bebe.abril.com.br/amamentacao/amamentacao-nao-depende-so-da-mulher-maes-falam-sobre-a-rede-de-apoio/

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